{"id":2731,"date":"2017-03-31T05:36:48","date_gmt":"2017-03-31T12:36:48","guid":{"rendered":"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2731"},"modified":"2024-04-24T13:40:49","modified_gmt":"2024-04-24T20:40:49","slug":"a-arte-como-ferramenta-para-a-acao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2731","title":{"rendered":"A Arte como Ferramenta para a A\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Modelos de trabalho e algumas ideias sobre<br \/>\nResid\u00eancias de Arte Contempor\u00e2nea em<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade e a processos sociais.<br \/>\n<\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Jorge Sep\u00falveda T. y Guillermina Bustos.<br \/>\nTraduzido por Paola Fabres.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Este artigo for inclu\u00edda no livro<br \/>\n<a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/_editorial\/residencias_summer_camp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Residencias de Arte Contempor\u00e1neo Social Summer Camp<\/strong><\/a><br \/>\nVilla Alegre \u2013 Chile. Febrero 2017<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">[<a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2714\">Versi\u00f3n en espa\u00f1ol<\/a>]<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>As met\u00e1foras sobre a aprendizagem trazem com elas um tom de aventura e desafio<\/i>. Se forem honestas, falar\u00e3o tamb\u00e9m de disciplina e de m\u00e9todo. Porque aprender n\u00e3o \u00e9 apenas embarcar em uma determinada travessia, mas \u00e9 tamb\u00e9m percorr\u00ea-la de forma consciente e constante. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Acreditamos que <i>a aprendizagem possa ser um impulso que busca pelo seu objeto \u2013 que o encontra, que o constr\u00f3i, que o enfrenta e que o modula<\/i> \u2013, \u00e0s vezes atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes atrav\u00e9s de discursos. E al\u00e9m do mais, pouco \u00e0 pouco, todo o conhecimento que se gera permite que aprendamos sobre o modo de conhecer; <i>aprender nos leva a aprender sobre como aprender.<\/i><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Todas essas reflex\u00f5es n\u00e3o apareceram de repente. Foi tudo uma larga sucess\u00e3o de tentativas, de ajustes, de propostas fracassadas comprovadas pela pr\u00f3pria experi\u00eancia cotidiana e de pequenas frustra\u00e7\u00f5es que convertemos em motiva\u00e7\u00f5es para novas tentativas. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Nisso, nosso c\u00famplice Samuel Beckett<\/span> <span style=\"color: #000000;\">nos acompanha com a cita\u00e7\u00e3o: \u201c<\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>Sempre tentaste. Sempre falhaste. N\u00e3o importa. Tente outra vez. Falhe outra vez. Falhe melhor.\u201d <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">Encontramos no nosso trabalho uma rela\u00e7\u00e3o direta entre aprender e fazer: o fazer como um m\u00e9todo de experimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um m\u00e9todo de certezas; o aprender como um sistema de prova, n\u00e3o de valida\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Da mesma maneira, e com a mesma intensidade, confiamos em Di\u00f3genes de Sinope. Citado de mem\u00f3ria, disse algo como: \u201c<\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>qualquer um de n\u00f3s, pessoas <\/i><\/span><i>comuns, ao <\/i><span style=\"color: #000000;\"><i>observar algo com aten\u00e7\u00e3o durante um determinado tempo, entender\u00e1 o funcionamento do mundo<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">\u201d.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;arte contempor\u00e2nea, usos poss\u00edveis&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Devido a tudo isso, e desde o in\u00edcio, t\u00ednhamos muitas perguntas e decis\u00f5es para serem definidas.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\">\u201c<\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Quando come\u00e7amos a desenvolver o sistema de resid\u00eancias em <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><i>formato <\/i><\/span><span style=\"font-size: small;\">summer camp<\/span><span style=\"font-size: small;\"><i>, nos pergunt\u00e1vamos: \u00e9 poss\u00edvel renunciar \u00e0s nossas habilidades j\u00e1 adquiridas? <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>\u00c9 poss\u00edvel renunciar \u00e0 autoridade e construir um sistema horizontal de rela\u00e7\u00f5es entre pessoas em resid\u00eancia? \u00c9 poss\u00edvel um trabalho efetivamente colaborativo em arte contempor\u00e2nea? \u00c9 poss\u00edvel que artistas, curadores, investigadores e cr\u00edticos, de contextos diversos, construam rela\u00e7\u00f5es afetivas e efetivas em um per\u00edodo breve de tempo\u201d? <\/i><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-size: small;\">(1)<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Nossa aposta \u00e9 a de que<i> \u201ca arte contempor\u00e2nea \u00e9, sobretudo, um sistema de interroga\u00e7\u00e3o da realidade<\/i>\u201d (2). S\u00f3 nos restava definir as condi\u00e7\u00f5es de todas essas perguntas, suas pretens\u00f5es e a forma de se aproximar disso que chamamos de realidade. Para se acercar das respostas dessas perguntas \u00e9 que nos dedicamos \u00e0s resid\u00eancias.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Suspeit\u00e1vamos que <i>a arte contempor\u00e2nea tivesse uma pot\u00eancia rara e \u00e0s vezes perturbadora<\/i>. Quer\u00edamos imaginar a possibilidade de seu funcionamento, apagar o peso do seu nome e os privil\u00e9gios a ele associados. Pens\u00e1vamos em uma inst\u00e2ncia que possibilitasse deixar para tr\u00e1s (pelo menos provisoriamente) essa condi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da arte, fazendo-a circular entre n\u00f3s mesmos como uma ferramenta a mais entre todas as ferramentas da cultura, possibilitando seu compartilhamento com os saberes de uma comunidade e construindo, sempre, complementa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Fomos entendendo <i>a produ\u00e7\u00e3o de arte contempor\u00e2nea n\u00e3o como um objeto (um o qu\u00ea) mas como uma rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel (um quando, um onde ou um como) <\/i>(3)<i> <\/i>e descobrimos que ela tem um tempo e um lugar. Descobrimos tamb\u00e9m que \u00e9 preciso saber quando falar de arte; quando recorrer ao poder de sua <i>denomina\u00e7\u00e3o leg\u00edtima<\/i>. Agora, estamos advertidos de seu uso comum (de seu sentido comum) e de sua condi\u00e7\u00e3o pretendida de manto sagrado: aquele que cobre de valor o fato, as a\u00e7\u00f5es, os objetos e as pr\u00e1ticas. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>A<\/i> <i>arte contempor\u00e2nea nos parece um campo de conhecimento sem axiomas (ela at\u00e9 os constr\u00f3i, mas para em seguida desmont\u00e1-los). Trata-se de um campo que se alimenta de outros campos, colocando-os em cheque e usando-os disfuncionalmente (a partir desses outros par\u00e2metros) para obter outras rentabilidades. Acreditamos que a arte contempor\u00e2nea \u00e9 um campo de conhecimento que alcan\u00e7a sua coes\u00e3o por meio da reitera\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de seus pr\u00f3prios procedimentos, <\/i>da modifica\u00e7\u00e3o com o outro e da revis\u00e3o sobre si mesma, \u00e0s vezes redundante apenas por verificar a conting\u00eancia dessa reitera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Partindo dessa <\/span>suspeita afirmativa, optamos pelo uso estrat\u00e9gico (e n\u00e3o obrigat\u00f3rio) de seu nome. Quando entendemos que sua condi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica poderia ser interrompida momentaneamente, enfatizamos a import\u00e2ncia de se atentar \u00e0 metodologia; aos processos de trabalho. Foi a partir dessas pretens\u00f5es que temos identificado e colocado em funcionamento a possibilidade de um m\u00e9todo, inserido em um contexto isento, que n\u00e3o a favorece, mas que a desafia e que a exige de formas n\u00e3o antes previstas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Evitamos ao m\u00e1ximo o uso de defini\u00e7\u00f5es e a forma\u00e7\u00e3o de gloss\u00e1rios. Preferimos no\u00e7\u00f5es vagas a conceitualiza\u00e7\u00f5es e estrutura\u00e7\u00f5es discursivas. <i>Escolhemos o modo de di\u00e1logo ao inv\u00e9s do discurso. <\/i>Isso, porque o discurso reproduz uma ordem e ajusta os contextos \u00e0 sua vontade. Por outro lado, a conversa ou o di\u00e1logo permite o tr\u00e2nsito entre um tema e outro, perde o objeto e \u00e0s vezes at\u00e9 seu objetivo. \u00c9 esse tom que nos interessa, porque \u00e9 nele que se revela o que n\u00e3o \u00e9 dito e o que necessita de n\u00f3s mesmos de outros modo. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Assim, ficamos dispon\u00edveis para avaliar tudo novamente, para ordenar o que sabemos de uma maneira que at\u00e9 agora desconhecemos. <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>Porque o mundo \u00e9 do tamanho que podemos imaginar<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">, e esse contato aberto com os outros no obriga a ampli\u00e1-<\/span>lo, a deixar de pensar no outro como uma vers\u00e3o sobre si mesmo, ou seja, nos obriga a pensar no outro como um outro, efetivamente. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;arte como m\u00e9todo de conhecimento&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Nesse sentido, a arte nos tem servido como um m\u00e9todo de conhecimento&#8230; Mas o que exatamente a arte contempor\u00e2nea nos permite conhecer? Atrav\u00e9s dela, podemos nos aproximar da estrutura\u00e7\u00e3o dos recursos simb\u00f3licos e dos materiais que instalam, naturalizam e enra\u00edzam uma determinada ordem no espa\u00e7o social. Podemos saber como uma ordem espec\u00edfica local pretende sua universalidade e, por vezes, consegue se impor cotidianamente. Podemos dissecar essa realidade, esse \u00abtudo\u00bb, de apar\u00eancia org\u00e2nica, para descobrir como se constr\u00f3i sua rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca bem como seus canais e seus afluentes.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Como sugere Judith Butler, sabemos que \u201c<i>o natural se constr\u00f3i como aquilo que carece de valor; e passa a assumir esse valor \u00e0 medida que assume seu car\u00e1ter social, ou seja, ao mesmo tempo em que a natureza renuncia sua condi\u00e7\u00e3o de natural<\/i>\u201d (4). Algo parecido ao que ocorre com a no\u00e7\u00e3o de autoridade de Lacan. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Essa \u00e9 a nossa curiosidade e a nossa motiva\u00e7\u00e3o, como num filme de mist\u00e9rio ou em uma s\u00e9rie policial. Queremos ir, de forma coletiva, <i>buscando entre as anedotas, entre os gestos, entre as formalidades e as rotinas<\/i> algo que nos permita<i> <\/i>entender juntos a<i> estrutura dos h\u00e1bitos, dos costumes, das expectativas, das predisposi\u00e7\u00f5es, do que imaginam que possam ser as prefer\u00eancias e dos limites estabelecidos<\/i>, no sentido de entender as raz\u00f5es morais e pr\u00e1ticas que nos regem, no sentido de determinar se \u00e9 ou n\u00e3o necess\u00e1rio refor\u00e7ar esse limite, empurr\u00e1-lo, modific\u00e1-lo ou deixa-lo cair em esquecimento.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Pensamos um uso da arte contempor\u00e2nea como uma pedagogia que atue num duplo sentido, ou seja, em ambas dire\u00e7\u00f5es<\/i>, de forma que n\u00e3o seja necess\u00e1ria a distin\u00e7\u00e3o entre quem aprende e quem ensina. Por isso, buscamos gerar um confian\u00e7a a favor de nos conhecermos, a partir de um contato direto e cr\u00edtico.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;escolhemos a arte, n\u00e3o o trabalho social&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">E ent\u00e3o&#8230; Porque falamos de arte e n\u00e3o de trabalho social, por exemplo? Primeiro porque <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>n\u00e3o viemos modificar a realidade, n\u00e3o viemos suprir o papel do estado ou da religi\u00e3o<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. Atuamos no sentido de entender a forma na qual a realidade foi constru\u00edda, no sentido de identificar quais s\u00e3o as repeti\u00e7\u00f5es sustentadas du<\/span>rante o tempo e de entender como funcionam os regimes de poder e a maquinaria de valor.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Assim, n\u00e3o \u00e9 nosso objetivo atuar como suplentes da organiza\u00e7\u00e3o social, como pretexto para uma associa\u00e7\u00e3o vantajosa, como um facilitador da responsabilidade c\u00edvica, nem como um estabilizador de rela\u00e7\u00f5es.<\/span> <span style=\"color: #000000;\">Isso, que fa\u00e7am os outros. Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>determinar quais s\u00e3o os elementos em tens\u00e3o em cada comunidade, descrev\u00ea-los, torna-los vis\u00edveis e suportar essa tens\u00e3o. Suportar em um duplo sentido da palavra, de aguentar e de dar suporte<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Devido \u00e0 isso, o <span style=\"color: #000000;\">uso da arte contempor\u00e2nea como ferramenta nos permitiu a exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica das decis\u00f5es pol\u00edticas cotidianas, muitas vezes impercept\u00edveis, que atuam por tr\u00e1s dessa configura\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica do repert\u00f3rio cultural (5). E parte de seu uso \u00e9 tamb\u00e9m avaliar as condi\u00e7\u00f5es dessa exibi\u00e7\u00e3o, dessa cena e de sua cenografia, de seus pap\u00e9is ativos e obsoletos. Perguntamos por sua <\/span>instala\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Numa \u00e9poca de automatismos, <\/span><i>queremos interromper o pensamento organizado pelo ju\u00edzo<\/i>, aquele que quando se define se pretende est\u00e1tico e atemporal, aquele que organiza ontologicamente (e objetualmente) o sujeito. Pretendemos <span style=\"color: #000000;\">habilitar a discuss\u00e3o argumentada dos fatos, provar outras defini\u00e7\u00f5es que nos permitam entender, investigar e construir poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es causais<\/span>. Em resumo, <span style=\"color: #000000;\"><i>queremos habilitar essa possibilidade de dissid\u00eancia que permite sustentar a ten\u00e7\u00e3o constitutiva da aprendizagem<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Nosso interesse n\u00e3o est\u00e1 posto na tra\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica das grandes audi\u00eancias, <\/i>buscando seduzi-las atrav\u00e9s da empatia com uma sensibilidade pr\u00e9-determinada;<i> <\/i>mas em um trabalho \u00e0s vezes impercept\u00edvel de interven\u00e7\u00e3o no cotidiano. Mais do que chamar aten\u00e7\u00e3o, queremos compartilhar tens\u00f5es.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;resid\u00eancia como espa\u00e7o de exce\u00e7\u00e3o&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">E como fazemos tudo isso? Nas resid\u00eancias de formato summer camp <i>habilitamos um espa\u00e7o de exce\u00e7\u00e3o <\/i>que funcionasse como uma inst\u00e2ncia de imers\u00e3o, para desaprender e voltar a aprender, para voltar a ver e buscar essas outras formas de rela\u00e7\u00e3o; um espa\u00e7o onde a conviv\u00eancia grupal nos exp\u00f5e e nos exige. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Esse espa\u00e7o gera uma <i>obriga\u00e7\u00e3o voluntariamente assumida <\/i>que nos for\u00e7a \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um conjunto provis\u00f3rio de termos onde se confundem idiomas e constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias (nacionais e individuais), onde compartilhamos experi\u00eancias exitosas e falidas, onde o diagn\u00f3stico do contexto se constr\u00f3i sobre a persist\u00eancia da observa\u00e7\u00e3o e da capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Para que tentemos enfrentar e apurar nossos preconceitos e f\u00f3rmulas preconcebidas em rela\u00e7\u00e3o a quem se encontra fora do campo especialista.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Atrav\u00e9s de jornadas de debate com os residentes e compartilhamentos em comum, tentamos suspender o interesse individual, <span style=\"color: #000000;\"><i>para utilizar a arte contempor\u00e2nea n\u00e3o como como uma forma de express\u00e3o, nem como uma enuncia\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, mas como uma justificativa para o di\u00e1logo <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">que busca outras coisas al\u00e9m das particularidades.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de formato na rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o formal mas de inten\u00e7\u00e3o e \u00eanfase estrutural. Frequentemente, a falha humana est\u00e1 associada ao S<\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>istema que induz o erro<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. Essa ideia de arte que usamos gera espa\u00e7os nos quais podemos tratar de entender e diagramar esse sistema, e \u00e9 uma das maneiras que temos para entender a sua influ\u00eancia e a sua efic\u00e1cia na forma\u00e7\u00e3o de sujeitos, mas tamb\u00e9m suas dificuldades e <\/span>debilidades em faz\u00ea-los aut\u00f4nomos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;como pensamos uma resid\u00eancia&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Como \u201co jardim dos caminhos que se bifurcam\u201d <span style=\"color: #000000;\">esta quest\u00e3o nos leva a duas novas perguntas: por um lado, como pensamos uma resid\u00eancia de arte? E por outro, como pensamos a rela\u00e7\u00e3o entre essas comunidades?<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Quando, no final de 2009 e junto com <span style=\"color: #000000;\">Ilze Petroni, pens\u00e1vamos pela primeira vez como seria poss\u00edvel uma resid\u00eancia \u2013 baseando-nos nas experi\u00eancias que conhec\u00edamos \u2013 a primeira ideia que descartamos foi a no\u00e7\u00e3o de uma <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>resid\u00eancia como ateli\u00ea deslocado<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. Este modelo em que uma pessoa viaja de um ateli\u00ea a outro implica em uma repeti\u00e7\u00e3o das mesmas efici\u00eancias (materiais e simb\u00f3licas) pelas quais esse mesmo residente foi selecionado. Esse formato n\u00e3o implica em nenhum desafio e em nenhum risco. Nem para os residentes, tampouco para os organizadores. E ainda, acaba excluindo a experi\u00eancia que surge a partir do contexto e dos saberes locais nos quais est\u00e3o inseridos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Esse tipo de resid\u00eancia fica limitada a quest\u00f5es t\u00e9cnicas, <i>formalmente afetadas por um estere\u00f3tipo editorial do local<\/i>. Tamb\u00e9m sabemos que os of\u00edcios e as disciplinas n\u00e3o tem valor nem positivo nem negativo, n\u00e3o s\u00e3o um valor por si s\u00f3. O que confina e restringe suas oportunidades \u00e9 a reitera\u00e7\u00e3o cega de seu uso hist\u00f3rico e de seu contexto. <i>Modificar a maneira com a qual nos relacionamos com uma ferramenta nos habilita a possibilidade de materializar um outro imagin\u00e1rio<\/i>.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;forma\u00e7\u00e3o dos grupos de trabalho&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Isso tamb\u00e9m implicou <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>modificar o sistema de sele\u00e7\u00e3o dos participantes para n\u00e3o reproduzir as distor\u00e7\u00f5es do Sistema da Arte, recusando todo o prest\u00edgio e privil\u00e9gio que com ele vem junto, toda a especula\u00e7\u00e3o de valor e as condutas simb\u00f3licas patrimoniais.<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\"> Assim pretend\u00edamos fugir da instala\u00e7\u00e3o da autoridade do sistema nas suas bordas, da institui\u00e7\u00e3o que reproduz a institui\u00e7\u00e3o, de quem <\/span>tem cabe\u00e7a de martelo e v\u00ea tudo como se fossem pregos<span style=\"color: #0070c0;\">. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">A partir desses racioc\u00ednios, buscamos simplificar o formul\u00e1rio, diminuir a quantidade de perguntas e, principalmente, <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>eliminamos a exig\u00eancia do envio de um curr\u00edculo (de uma trajet\u00f3ria) e de um portf\u00f3lio de obras (das realiza\u00e7\u00f5es e dos objetos) para nos centrarmos nas pretens\u00f5es (no statement) e no modo de organizar o conhecimento pr\u00e9vio<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. Pensamos em formar um grupo a partir das capacidades <\/span>dispon\u00edveis e de suas poss\u00edveis intera\u00e7\u00f5es. Novamente, pensamos n\u00e3o no ac\u00famulo, mas em seu uso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Pensamos em selecionar os participantes a partir da an\u00e1lise do discurso: isso \u00e9, fazer algumas preguntas intencionalmente amb\u00edguas, revisar a argumenta\u00e7\u00e3o e os conceitos utilizados, mas principalmente verificar <i>a qualidade da mentira;<\/i> nesses tr\u00eas termos entendemos que <i>se p\u00f5e em jogo a capacidade de estruturar uma fic\u00e7\u00e3o, de organizar um contexto e executar a\u00e7\u00f5es sobre ele<\/i>. \u00c9 isso que necessitamos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;um plano de a\u00e7\u00e3o&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Montamos, ent\u00e3o um plano de a\u00e7\u00e3o: nos reunirmos todas as manh\u00e3s para tomar um caf\u00e9 da manh\u00e3 sem pressa, conversar e avaliar criticamente tudo que passou no dia anterior, <i>inventar possibilidades, ensaiar coreogr\u00e1ficas<\/i> e criar hip\u00f3teses falsas. Assim pretend\u00edamos separar o desenvolvimento do nosso trabalho da padroniza\u00e7\u00e3o do discursivo e das estrat\u00e9gias de (auto)exotiza\u00e7\u00e3o que as mesmas comunidades (frequentemente) v\u00e3o aprendendo de seus interlocutores. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Pens\u00e1vamos em <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>como evitar a solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, a primeira resposta que vem em mente, o primeiro racioc\u00ednio; esse que todos pensariam, aquele que aparece de forma f\u00e1cil e autom\u00e1tica<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">. Essa primeira solu\u00e7\u00e3o \u00e9 m<\/span>ais um mecanismo de um modo de conhecimento que do que estamos buscando conhecer.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">O trabalho grupal colaborativo nos permitiu criar din\u00e2micas de trabalho baseadas nessas contradi\u00e7\u00f5es, nessas incompreens\u00f5es pr\u00f3prias de estar vendo algo pela primeira vez, com suas complexidades e resist\u00eancias. <i>A gente se prop\u00f4s, mais do que produzir ou reproduzir uma m\u00e1quina de categoriza\u00e7\u00e3o, a criar um sistema de conhecimento coletivo (ajustado e exigido pelos residentes) para administrar a ignor\u00e2ncia<\/i>.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Pensando nessas quest\u00f5es, foi poss\u00edvel detectar uma rela\u00e7\u00e3o complement\u00e1ria entre Tens\u00e3o e Coes\u00e3o. Ou seja, <i>a coes\u00e3o nos faz fortes, a tens\u00e3o nos faz inteligentes<\/i>. Se uma se predomina sobre a outra, ambas desaparecem. Ent\u00e3o, <i>conhecer \u00e9 tamb\u00e9m uma capacidade pol\u00edtica<\/i>. Saber \u00e9 um acordo moment\u00e2neo, que deve ser sustentado e revisado constantemente. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>A qualidade desse acordo est\u00e1 baseada na nossa capacidade de nos tornarnos vulner\u00e1veis e de incluir e coordenar diversidades <\/i>frente \u00e0 predomin\u00e2ncia de uma homogeneiza\u00e7\u00e3o sedutora e objetualista. E a qualidade desse acordo se p\u00f5e em cheque e se executa no planejamento, ao ser colocada em pr\u00e1tica e na estrutura\u00e7\u00e3o de suas consequ\u00eancias a m\u00e9dio prazo. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;a quest\u00e3o econ\u00f4mica&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Mas tanto desejo de liberdade e de envolvimento tem um custo econ\u00f4mico e financeiro. \u00c9 recorrente que para o financiamento das resid\u00eancias a maioria dos gestores busquem a capta\u00e7\u00e3o de verba a partir de financiamentos p\u00fablicos. Isso acaba implicando, simultaneamente, em dois problemas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Por um lado, <span style=\"color: #000000;\"><i>na n\u00e3o continuidade das iniciativas,<\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\"> j\u00e1 que<\/span><i> <\/i><span style=\"color: #000000;\">na maioria das vezes n\u00e3o se consegue um financiamento regular. No melhor dos casos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recorrer aos mesmos fundos anos seguidos, inabilitando, assim, a cria\u00e7\u00e3o de um programa de trabalho a longo prazo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">E por outro lado, implica tamb\u00e9m numa limita\u00e7\u00e3o da<\/span><span style=\"color: #000000;\"><i> autonomia editorial, <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">que<\/span><i> <\/i><span style=\"color: #000000;\">se v\u00ea afetada<\/span><i> <\/i><span style=\"color: #000000;\">j\u00e1 que <\/span><span style=\"color: #000000;\"><i>o dinheiro sempre vem com condi\u00e7\u00f5es. <\/i><\/span><span style=\"color: #000000;\">Afetado<\/span><span style=\"color: #000000;\"> pelos <\/span><i>requerimentos burocr\u00e1ticos espec\u00edficos<\/i> inclu\u00eddos nas bases (ou seja, os crit\u00e9rios expl\u00edcitos e impl\u00edcitos desses subs\u00eddios); e afetado pelas<i> tend\u00eancias da moda e do espet\u00e1culo das pol\u00edticas p\u00fablicas <\/i>sobre arte e cultura.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Como resolver isso? A primeira decis\u00e3o foi dif\u00edcil: ter\u00edamos que cobrar pelas participa\u00e7\u00f5es nas resid\u00eancias. Naquela \u00e9poca, e at\u00e9 hoje, a grande parte dessas atividades eram gratuitas para o residente, seja porque se destinam bolsas aos participantes, seja porque essas participa\u00e7\u00f5es s\u00e3o pensadas como uma premia\u00e7\u00e3o pela trajet\u00f3ria ou por projetos espec\u00edficos. Isso distorce a ideia de convocat\u00f3ria de trabalho para uma convocat\u00f3ria de concurso ou competi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">N\u00f3s decidimos criar um or\u00e7amento colaborativo, formar provisoriamente uma cooperativa de trabalho que re\u00fane o seu or\u00e7amento atrav\u00e9s de cotas de participa\u00e7\u00e3o que cobrem os residentes. Os participantes se autofinanciam (quando poss\u00edvel) ou s\u00e3o financiados pelas suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es locais de seus lugares de origem, atrav\u00e9s da concess\u00e3o de cartas de convite para a gest\u00e3o de fundos. Isso corrige, parcialmente, uma poss\u00edvel distor\u00e7\u00e3o por exclus\u00e3o ocasionada por motivos econ\u00f4micos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Com esse or\u00e7amento, podemos cobrir nossos custos diretos (hospedagem e caf\u00e9 da manh\u00e3) e tamb\u00e9m os custos de investiga\u00e7\u00e3o do tema e o trabalho pr\u00e9vio de produ\u00e7\u00e3o (que normalmente inicia 6 meses antes da realiza\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia). Mas principalmente, <i>esse or\u00e7amento colaborativo nos permite manter processos de investiga\u00e7\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o (como \u00e9 o caso de Villa Alegre que j\u00e1 dura 7 anos), bem como a autonomia editorial que desejamos<\/i>. Assim, o dinheiro n\u00e3o se torna um problema por ele mesmo, sen\u00e3o uma ferramenta para a capacidade de fazer.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;sobre modelos de trabalho&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Desde janeiro de 2010 at\u00e9 agora, tem surgido e se consolidado outros modelos de resid\u00eancia de arte contempor\u00e2nea, que temos acompanhado e estudado para buscar compreender suas motiva\u00e7\u00f5es e seus rendimentos, para constitu\u00ed-las como interlocutores v\u00e1lidos com os quais podemos contrastar nossas pr\u00f3prias motiva\u00e7\u00f5es, investiga\u00e7\u00f5es e rendimentos. Para integrar seus descobrimentos e suas produ\u00e7\u00f5es de no\u00e7\u00f5es ou refor\u00e7ar nossas decis\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Por enquanto temos claro quais desses modelos n\u00e3o queremos ser e as raz\u00f5es para n\u00e3o s\u00ea-los: n\u00e3o somos um albergue de artistas, nem um retiro espiritual, nem uma reuni\u00e3o de amigos, nem um grupo de autoajuda, nem um coworking, nem uma excurs\u00e3o VIP pela periferia. <i>Esses modelos instalam e replicam os h\u00e1bitos, os costumes e as efici\u00eancias individuais no p\u00fablico.<\/i> <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">N\u00e3o \u00e9 nossa atua\u00e7\u00e3o nem nossa preocupa\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de uma carreira ou de uma estrat\u00e9gia, a autovalida\u00e7\u00e3o ou a m\u00fatua valida\u00e7\u00e3o, a conten\u00e7\u00e3o suave baseada no marketing emocional, na constru\u00e7\u00e3o de marcas ou estilemas, a padroniza\u00e7\u00e3o produtiva e a homogeneiza\u00e7\u00e3o (fordista ou p\u00f3s-fordista). Nem o exotismo, nem a autoexotiza\u00e7\u00e3o ou a discrimina\u00e7\u00e3o positiva. Nada disso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o queremos, n\u00e3o podemos. De tal <\/span>maneira <i>temos carregado ideologicamente nosso trabalho,<\/i> n\u00e3o \u00e9 a imagem sen\u00e3o o imagin\u00e1rio. Ou seja, para n\u00f3s<i>, o imagin\u00e1rio \u00e9 todo esse repert\u00f3rio de no\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, a forma de se enla\u00e7ar, de se afetar mutuamente e de se organizar hierarquicamente<\/i>, onde umas predominam e as outras suportam sua narrativa. <i>Um imagin\u00e1rio \u00e9 uma f\u00e1bula e sua confabula\u00e7\u00e3o<\/i>. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>O uso da ideia de imagin\u00e1rio que propomos \u00e9 a resposta coletiva \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de sentido que individualmente sentimos, <\/i>e que nos parece<i> l\u00f3gica e cr\u00edvel <\/i>porque resolve os problemas no mesmo plano em que os instalou<i>.<\/i> (6)<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;Interven\u00e7\u00e3o no Espa\u00e7o P\u00fablico e Trabalho com a Comunidade.&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Ent\u00e3o, como realizar tudo isso? <i>Como estabelecer a ponte entre essa comunidade em forma\u00e7\u00e3o e a comunidade que nos recebe?<\/i> Como fazer vis\u00edveis nossas ferramentas e nossas disponibilidades? De in\u00edcio, ter\u00edamos que quebrar o gelo, fazer o primeiro contato e deixar ver, \u00e9 que optamos pela interrup\u00e7\u00e3o total da rotina, a produ\u00e7\u00e3o de um choque, de um estranhamento, a instala\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno, algo mais ou menos como a \u201caterrizagem de um ovni\u201d, <i>todos esses procedimentos pr\u00f3prios das interven\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico<\/i>. Os artistas colocavam \u00e0 prova suas capacidade, \u00e0s vezes reproduzindo algumas f\u00f3rmulas j\u00e1 testadas, outras elaborando a partir do que o pr\u00f3prio contexto oferecia, dificilmente desapegados de sua condi\u00e7\u00e3o de autores.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Por isso sab\u00edamos que <i>corr\u00edamos o risco de sermos perseguidos pela codifica\u00e7\u00e3o da arte<\/i>, de acabarmos reduzidos \u00e0s bordas da sua imperme\u00e1vel autonomia, de nos convertermos nos \u201cestranhos e deslocados\u201d <span style=\"color: #000000;\">(o freak show)<\/span>, enquanto ao nosso redor se constru\u00edam as paredes do cubo branco, tra\u00e7avam as linhas que <i>determinavam o cen\u00e1rio, dando a fronteira invis\u00edvel de onde termina a arte e onde come\u00e7a o espectador<\/i>, at\u00f4nito mas passivo. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Para os residentes, isso \u00e9 uma amea\u00e7a mas \u00e9 tamb\u00e9m um desejo. Porque esse c\u00f3digo, essas paredes e esse cen\u00e1rio, <i>todos esses limites s\u00e3o conven\u00e7\u00f5es estereotipadas que o artista usa para se mostrar consciente e preocupado<\/i>, por outro lado esses limites acabam por constituir o papel do artista, por cont\u00ea-lo, por favorec\u00ea-lo, por defini-lo e defend\u00ea-lo frente a todo o exterior (frente \u00e0 comunidade e para al\u00e9m do campo de conhecimento).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">T\u00ednhamos que ir com cuidado. Essa forma de fazer-se vis\u00edvel tamb\u00e9m corre o perigo do confinamento no espet\u00e1culo, como uma novidade ef\u00eamera que logo \u00e9 esquecida. P\u00e3o para hoje, fome para amanh\u00e3.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Em cada ver\u00e3o, nos primeiros anos que volt\u00e1vamos para Villa Alegre, t\u00ednhamos que come\u00e7ar tudo do zero, retomar o primeiro contato novamente, recordar aos vizinhos quem \u00e9ramos e porque est\u00e1vamos l\u00e1. Quer\u00edamos saber o que acontecia quando sa\u00edamos de l\u00e1, depois que cada resid\u00eancia se acabava, <i>saber o que ocorria com todos os conhecimentos que eram constru\u00eddos coletivamente. <\/i>Quer\u00edamos saber<i> <\/i>como seguiam usando todo o conhecimento que t\u00ednhamos aprendido e constru\u00eddo juntos. Nossa ideia era poder <i>dar seguimento \u00e0s experi\u00eancias e aos sintomas<\/i> (na comunidade e nos pr\u00f3prios residentes).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Parte desses questionamentos est\u00e3o relacionados a qualidade dos fatos e a sua continuidade. <\/i>Come\u00e7amos a perguntar como poder\u00edamos converter em cidad\u00e3os provis\u00f3rios de Villa Alegre, como nos engajar para participar ativa e politicamente da vida dos vizinhos. Isso nos obrigou a ser r\u00e1pidos, precisos e econ\u00f4micos. Tamb\u00e9m a prever algumas situa\u00e7\u00f5es, \u00e0 projetar planos de m\u00e9dio e longo prazo<i>. Ser cidad\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o e um exerc\u00edcio, constante e met\u00f3dico.<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Um exerc\u00edcio que requer afirma\u00e7\u00f5es e certas ren\u00fancias. Isso no levou progressivamente a diluir a ideia de autor, a atuar em manada, a <i>projetar algo como uma assembleia cr\u00edtica de proposi\u00e7\u00f5es, <\/i>a sustentar essas discuss\u00f5es que prolongavam at\u00e9 as madrugadas que muitas vezes podiam parecer in\u00fateis e repetitivas, mas que acabam sendo a base do afeto social que nos mant\u00e9m juntos e unidos.<i> <\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">A gente quis, como grupo, <i>colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o a capacidade de imaginar outra organiza\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>, de habitar conjuntamente a d\u00favida, de trabalhar juntos a esperan\u00e7a e a expectativa, a ultrapassar, antes de mais nada, as pequenas frustra\u00e7\u00f5es cotidianas. <i>Optamos pelas estrat\u00e9gias de trabalho de base, do contato um a um, de possibilitar uma forma ativa de perda de tempo,<\/i> atrav\u00e9s da qual os objetivos, a efetividade e suas pretens\u00f5es possam ser adiadas, suspendidas momentaneamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Decidimos nos dedicar no trabalho com o outro e n\u00e3o para o outro, <\/i>de forma que nos torn\u00e1vamos c\u00famplices dos diagn\u00f3sticos e das decis\u00f5es, coautores de uma lenta revolu\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Desde ent\u00e3o, a cada ano, nos juntamos com as pessoas da comunidade para fazer lanche juntos, comer <i>chancho en piedra<\/i> e <i>mote con huesillos<\/i>, para compartilhar um mate, nos convidarmos \u00e0 nossa casa provis\u00f3ria, aos nossos churrascos, \u00e0s nossas festas e a conhecer nosso trabalho, compartilhar mem\u00f3rias, pensar sobre o presente e preparar o futuro. De fato, <i>nosso m\u00e9todo \u00e9 estabelecer longas conversas sobre o poss\u00edvel e sobre o improv\u00e1vel.<\/i> Juntos. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>&lt;&lt;consequ\u00eancias desejadas&gt;&gt;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Finalmente, o <i>que acontece com as pessoas depois de uma resid\u00eancia?<\/i> Nossa experi\u00eancia e o contato que mantivemos com a comunidade de Villa Alegre, assim como com os residentes, durantes esses 7 anos, nos apontam v\u00e1rias coisas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Na comunidade, a partir da resid\u00eancia, que realizamos a cada fevereiro, acaba ocorrendo como consequ\u00eancia um evento social e cultural onde as pessoas, que n\u00e3o se encontram cotidianamente, seja pelo trabalho, seja pela dist\u00e2ncia, voltam a se encontrar a cada ano. Se criou uma expectativa e uma curiosidade em rela\u00e7\u00e3o as pessoas que chegam, seus sotaques e suas ideias. Cada ano, seguido de um breve discurso inicial, o vinho e a torta abrem espa\u00e7os para conversas indagativas, para o resgate de mem\u00f3rias e anedotas, <i>os vizinhos contam aos novos residentes a respeito de quem participou e esteve ali antes deles<\/i>. Essas lembran\u00e7as todas, as risadas e a m\u00fasica instala o clima no qual estaremos submetidos nos pr\u00f3ximos 12 dias. Os vizinhos s\u00e3o os novos anfitri\u00f5es, seletivos e intrigados, que relatam e exageram para seduzir os residentes rec\u00e9m chegados. O trabalho pol\u00edtico de cada dia continua. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Os residentes dos anos anteriores vivem (e \u00e0s vezes sobrevivem) essa experi\u00eancia de muitas maneiras. Sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica se v\u00ea afetada, muitos desenvolvem por meses ideias de obras que surgem casualmente a partir de rascunhos de trabalho; se formam e se separam coletivos de artistas; se iniciam e terminam rela\u00e7\u00f5es de trabalho, bem como rela\u00e7\u00f5es emocionais e pessoais. Se abrem a ideias, se geram amizades e \u00f3dios. O que nunca ocorre, \u00e9 a indiferen\u00e7a.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> <span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Mas talvez, o mais relevante para cada um de n\u00f3s, residentes e coordenadores, \u00e9 que tudo o que v\u00ednhamos sabendo se reorganiza. Tudo aquilo que n\u00e3o querias assumir, te enfrenta pessoalmente e te pede respostas urgentes. Nossa tarefa tem sido acompanhar todos esses processos, da amizade ao trabalho. Nas resid\u00eancias <i>nossa pretens\u00e3o tem sido o encorajamento, <\/i>apressar as decis\u00f5es que se demoram normalmente, porque \u00e9 assim que nos amamos e nos exigimos. Nosso trabalho \u00e9 ser impulso e conten\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jorge Sep\u00falveda T. y Guillermina Bustos<br \/>\nCoordinadores de Curator\u00eda Forense \u2013 Latinoam\u00e9rica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Petroni, Ilze &amp; Sep\u00falveda T., Jorge. 2010. <\/span><\/span><a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=803\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span lang=\"zxx\"><i><u>Armar Campamento. El formato Summer Camp en las residencias de arte contempor\u00e1neo.<\/u><\/i><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a> <span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Artigo dispon\u00edvel em: https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=803<\/span><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Petroni, Ilze &amp; Sep\u00falveda T., Jorge. 2011. <\/span><\/span><a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=1320\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span lang=\"zxx\"><u>Ninguno de nosotros es tan inteligente como todos nosotros juntos \/ texto de presentaci\u00f3n<\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a>. Artigo dispon\u00edvel em: https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=1320<\/li>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Petroni, Ilze &amp; Sep\u00falveda T., Jorge. 2013. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Del objeto de arte a la relaci\u00f3n de arte (contempor\u00e1neo).<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Artigo dispon\u00edvel em: <\/span><\/span><a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2062\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span lang=\"zxx\"><u>https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2062<\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><\/li>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Butler, Judith. (2002) <i>Cuerpos que importan. Sobre los l\u00edmites materiales y discursivos del &lt;sexo&gt;<\/i>. &nbsp; Em Taylor Diana &amp; . Estudios Avanzados de Performance. <\/span><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Bustos, Guillermina. 2016. <i>El arte contempor\u00e1neo como m\u00e9todo de investigaci\u00f3n; metodolog\u00eda, procedimientos y an\u00e1lisis de casos<\/i>. (Tesis Magister en Arte, menci\u00f3n Artes Visuales). Universidad de Chile. Santiago de Chile.<\/span><\/span><\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Essa quest\u00e3o \u00e9 interessante porque na rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduo e imagin\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 claro o limite sobre cada um, poder\u00edamos dizer que <i>um indiv\u00edduo participa de um imagin\u00e1rio da mesma maneira que o imagin\u00e1rio o constitui como indiv\u00edduo<\/i>.<\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Bustos, Guillermina &amp; Sep\u00falveda T., Jorge. 2016. <\/span><\/span><a href=\"https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2631\"><span style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span lang=\"zxx\"><i><u>Es dif\u00edcil decir que no pensamos en una pedagog\u00eda de la acci\u00f3n.<\/u><\/i><\/span><\/span><\/span><\/span><\/a> <span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Artigo dispon\u00edvel em: https:\/\/curatoriaforense.net\/niued\/?p=2631<\/span><\/span><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modelos de trabalho e algumas ideias sobre Resid\u00eancias de Arte Contempor\u00e2nea em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade e a processos sociais. Jorge Sep\u00falveda T. y Guillermina Bustos. Traduzido por Paola Fabres. Este artigo for inclu\u00edda no livro Residencias de Arte Contempor\u00e1neo Social Summer Camp Villa Alegre \u2013 Chile. 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